(Artista, teórico de novas mídias e Professor Associado no Departamento de Arte Visuais da Universidade da Califórnia).
A visualização de dados tem seus primórdios já no séc. XVIII com as visualizações de dados por meio de gráficos informativos e quantitativos como os de Edward Tufte (Estatístico americano e professor emérito de estatística, design de informação, design de interface e economia política pela universidade de Yale) mas, com o advento da computação, uma nova gama de técnicas e modos foi descoberta utilizando a inserção de dados em tempo real, visualizações dinâmicas que são animadas e interativas, a transformação de representações como criar uma imagem a partir de um som, entre outras. O mapeamento de dados que se refere ao modo que os dados obtidos são transformados por um mesmo código matemático: som em imagem, tempo no espaço, etc. Assim, a visualização de dados é o subgrupo do mapeamento em sua forma visual.
Deste modo podemos ver o computador como uma ferramenta que nos permite utilizar todos os formatos das mídias anteriores, como o cinema e o rádio, num mesmo aparelho e assim criar o que Manovich designou de “meta-mídia”. A “meta-mídia” é um objeto que contém tanto linguagem como meta-linguagem, tanto a estrutura original quanto as ferramentas de software que permitem a interação e manipulação do mesmo, criando novas descrições.
Estas possibilidades de novas mídias influenciaram o modo de mapeamento de conteúdos e se tornou uma operação corriqueira tanto na arte quanto na ciência (a visualização do corpo humano e seu funcionamento pela medicina, a visualização do DNA pela biologia). Mas, segundo Manovich, isto também gera uma nova série de questões como o anti-sublime, que vai à contramão do sublime dos artistas românticos, onde é retratado o belo e pitoresco com elementos fantásticos e irracionais do extraordinário e grandioso da natureza.
Os artistas românticos acreditavam que certos fenômenos não poderiam ser representados, estavam além da razão e dos sentidos. Já a arte de visualização de dados procura exatamente esses fenômenos e tenta transformá-los em dados perceptíveis aos sentidos humanos. Será que todo processo que foi previamente dado como intangível agora poderá ser transformado a fim de que nós possamos entendê-lo?
E a vasta lista de opções de mapeamento também pode trazer outra questão à tona: com inúmeras formas de mapeamento, o artista escolheu uma arbitrariamente ou teve motivações? A boa arte é sempre fundamentada na premissa que a “forma e o conteúdo formam um todo único” e que “o conteúdo motiva a forma”. Aqui Manovich teoriza que, em um bom trabalho de mapeamento de dados, seria interessante relacionar-se ao conteúdo o contexto dos dados ou mesmo que a arbitrariedade citada anteriormente não deve ser escondida, evitando ser racional o tempo todo e usar a irracionalidade.
Finalizando, Manovich aponta que, mesmo com a importância do mapeamento de dados, ainda falta “algo a mais” no âmbito artístico. Representar dados abstratos e impessoais em algo tangível e belo já é realizado por economistas, designers gráficos e cientistas muito bem. O desafio aqui é criar representações novas segundo a experiência subjetiva de cada indivíduo imerso em uma sociedade de dados, tentando assim, utilizar a licença única da arte em retratar a subjetividade humana, agora, “imersa em dados”.
MANOVICH, Lev. Visualização de dados como uma nova abstração e
anti-sublime. In: Leão, Lucia (org.) Derivas: cartografias do
ciberespaço. São Paulo: Annablume, 2004.
sobre Tufte:
http://www.edwardtufte.com/tufte/
Palestra:
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